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INTERFERIR NA IDIOTICE PODE

Ônibus cai de viaduto sobre Av. Brasil e deixa sete mortos no Rio. Foto: reprodução da TV Globo.

Ônibus cai de viaduto sobre Av. Brasil e deixa sete mortos no Rio. Foto: reprodução da TV Globo.


Essas pequenas coisas que nos acontecem bem diante de nós, pequeninos fatos que realmente nos parecem tão ínfimos, mas que, quando catapultados por asas de borboletas caóticas, acabam em mastodônticas tragédias. Toda hora nos deparamos com essas enormes lambanças que seriam facilmente evitadas se alguém, de fora da lambança, tomasse conta da situação. Tomemos um exemplo: aquele ônibus que despencou de um viaduto sobre a Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. Parece que o “acidente” aconteceu por causa de uma discussão entre um rapaz e o motorista do coletivo. Se alguém ali dentro do ônibus tivesse interrompido a briga entre os dois, aquela desnecessária tragédia não aconteceria. Alguém poderia ter se levantado e falado: “Gente, vamos adiar essa discussão pra uma hora em que não estivermos correndo risco de vida, por favor?”. Sete pessoas ainda estariam vivas se algo similar tivesse realmente acontecido.

Bem, é claro que a culpa não é de quem não interfere. Ali, no caso do ônibus, a culpa não foi dos outros passageiros. Claro que não. Mas será que esse código silencioso da não interferência que nos domina a todos e mantém a sociedade nesse equilíbrio de destruição e morte é realmente o mais eficaz? Ou isso é apenas uma solução temporária para uma humanidade temporária?

Eu não sei também. Eu sou o rei do “não sei” (Sócrates morreu; o posto está vago há 2 mil e quinhentos anos, gente). Mas uma coisa eu sei: de hoje em diante toda e qualquer pessoa ou grupo de pessoas que oferecerem algum tipo de risco à minha integridade covarde, com ações idiotas que obviamente darão em lambança, logo serão interrompidos por algum discurso ou ação minha. E dane-se a vergonha.

Pilotos de avião, aguardem-me.

[cato alberico ribeiro]

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BELLA SWAN É UMA VACA MESMO

ó procê, Cato.

Há alguns meses escrevi um texto chamado “Bella Swan é uma vaca”, um título que considerei ofensivo o suficiente para chamar a atenção das pessoas além de ser uma boa frase para, futuramente, estampar numa camiseta. Pois bem, o que eu realmente acho sobre a personagem dessa tal “saga”, que a tanto fascina algumas pessoas, é vil demais para ser colocado num texto sem ferir o nível de decência da maioria das pessoas. Então poupo a todos.

Eu, que sempre escrevi ou pensei sobre a questão da idolatria nos fenômenos de mídia e sobre a questão da alienação de uma forma geral, nem cheguei a ficar surpreso quando, depois que publiquei o texto supracitado, fui atacado pelas fãs histéricas da “saga” (regozijo-me quando vejo alguém encher a boca para falar a palavra “saga”, como se isso desse algum valor metafísico à sua inteligência, quando, na verdade, acontece exatamente o oposto, mostrando uma limitação de vocabulário condizente com as pessoas que simplesmente ficam viciadas nos personagens de uma obra literária, deixando de lado as questões mais importantes da obra, como a estrutura literária, o enredo, a originalidade, o bom uso do vocabulário, as traduções, enfim, qualquer outro quesito que colocariam a “saga” no seu devido lugar; e, se quiserem, desconsiderem esta opinião disfarçada de parênteses). Claro que nem me surpreendi, pois todo mundo sabe como essas maníacas esquizofrênicas disfarçadas de fãs atacam ferozmente qualquer movimentação que se faça na direção de um ataque à mediocridade dessa série romântica feita com um único propósito: a arrecadação carnívora de lucro.

Vá lá, os comentários raivosos das estúpidas fãs, que mal serviram para encher minha paciência, apenas confirmaram que as reflexões feitas por mim acerca do assunto estavam certas, apesar de muita vezes parecerem exageradas e até mesmo falaciosas. Como eu não tenho problema em admitir que sou mesmo uma falácia ambulante, assumo aqui meus propositais exageros e sigo adiante.

E então a Kristen Stewart, a gracinha perturbada que interpreta a personagem principal dos tais livros e filmes, faz uma pirueta comportamental, nada demais, aliás, um chifre aí, coisa pouca em se tratando dessas atrizes autocentradas e mentirosas, um chifre no namorado que é seu parceiro romântico na série, atitude mais do que suficiente para arrancar o véu fantasioso (pra não dizer mentiroso) que os fãs colocaram sobre a atriz, misturando realidade e ficção num claro sinal de delírio coletivo, e catapultando a guria, que até é bonitinha, de volta ao plano de carne e osso do qual nunca deveria ter saído.

Quer dizer, agora todo mundo acha que a Kristen Stewart, que eu nunca ofendi na minha vida, já que no meu texto eu apenas ofendia a personagem, Bella Swan, que é só uma personagem fictícia e, por isso, não sai ofendida e nem mesmo existe de verdade, e que eu acho uma vaquinha mesmo, enfim, agora todo mundo acha que a gracinha da atriz realmente é uma vaca.

Bom, aí eu sento e rio, pois é só o que me resta.

E fiquem livres para tecerem seus comentários imbecis, crepusculetes.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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crack & jesus

Quando você larga as drogas por uma religião você simplesmente está trocando uma droga pela outra.

Crack & Jesus.

Se Cristo aparecesse como um viciado na Cracolândia, quem acreditaria nele? Ninguém, ÓBVIO, porque está todo mundo esperando um Antonio Banderas super-heroico com os milagres escorrendo-lhe pelas pontas dos dedos e ninguém, NINGUÉM, está pronto ou mesmo disposto para baixar sua bolinha de sabe-tudo e admitir que o Cristo está ali, mesmo se o noia divino estiver mesmo ali diante do crente incrédulo abrindo o Rio Tietê com um lance do cachimbo feito com o potinho de Yakult.

Não se deve acreditar num futuro, mesmo porque ele não existe ainda. E o passado, bem, sinto lhes dizer, ele já foi, por isso que é passado. Então ou a gente está acreditando em ecos de um passado distante ou antecipando as improbabilidades dum futuro que a gente nem sabe se existirá (por isso “improbabilidades”). E, nos dois casos, estamos permitindo que essas mentiras mandem em nós. É um caso de alienação temporal. Esses “milagres” da Bíblia, por exemplo, que aconteceram em ambiente judaico-cristão, apenas têm tanta força porque eles nunca mais aconteceram (se é que aconteceram alguma vez, claro).

E continuamos à espera deste nunca acontecer.

Não existem milagres modernos e os milagres futuros estão todos relacionados com a volta desse messias super-heroi ou com um devastador apocalipse dos anjos.

São esperanças e medos.

Nada mais.

E eu comecei falando de um assunto e terminei em outro.

A culpa é do crack.

Brincadeira.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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o crack, o BBB e a resistência humana

foto: Danilo Verpa / Folhapress

Eu sempre me surpreendo com a capacidade de resistência do corpo humano. Quando acho que nosso organismo é fraco, acontece alguma coisa, ou comigo ou com alguém próximo de mim, que me mostra como nosso corpo é capaz de resistir às mais bruscas variações de ambiente. Basicamente, se a gente sair do deserto do Atacama e andar por um caminho hipotético até o topo do Monte Everest, num intervalo de 24 horas, a gente sobrevive. Claro, tem gente que morre, mas isso só acontece porque a gente é gente.

A gente só morre porque é gente.

Mas existem humanos verdadeiramente resistentes, que permanecem aí, por muito mais tempo que os outros membros de suas famílias, muito mais que seus amigos, que enterram todos os conhecidos e até mesmo os filhos.

É claro que a gente acaba se acostumando com referências ridículas de resistência humana, como os participantes do BBB, e acha que ser resistente de verdade é ficar um dia dentro de um carro com outras pessoas, pra ganhar esse carro no final do processo, no meio de um enorme pólo estrutural cravado em plena Mata Atlântica, num dos lugares mais agradáveis do planeta. Isso não é ser resistente, gente. Isso é ser preguiçoso.

Agora a gente olha para a cracolândia, em São Paulo, e tem uma amostra real do quão ferrado um corpo pode estar, mas ainda assim aguentar um pouco mais de tranco e avaria. Tem gente ali que só come pão, cachaça e crack há anos e ainda está na rua, jogando pedra em equipe de jornalismo da Globo. Quer dizer, ainda acha ânimo pra começar uma revolução.

É por isso que as pessoas estão alvoroçadas com a cracolândia. Porque ali pode estar o centro duma revolução. Cheirando a pombo e cachaça.

É claro que os governantes não perceberam um pequeno detalhe antes de começar essa patética ação de limpeza humana: que a cracolândia, senhores, é móvel. Ela não existe realmente, ela só existe dentro das cabeças das pessoas e, por isso, ela é indestrutível e continuará em movimento. Se o governo quer ajudar os viciados (o que já ficou claro que não é a intenção principal nesta ação) será preciso entrar nas cabeças dessas pessoas. Que não as tratem como lixo puro. É por isso que devemos parar de usar o termo “limpeza”. Eu usei. Eu peço desculpas.

Eu olho para aquelas pessoas e não consigo parar de pensar que muitos devem estar ali porque falaram a verdade. Porque foram honestos. Porque não aceitaram as imposições de uma família autoritária. Porque simplesmente não aceitaram. Muitos fugidos, claro. Às vezes dos maus tratos dos pais, muitas vezes dos assédios sexuais de membros próximos da família.

Não é o caso de defender todos os viciados, claro que não, afirmando que eles não tiveram opção, eu não estou aqui na função de defender ninguém. Não seria muito existencialista da minha parte. Sei até que muitos ali são vagabundos da mais alta estirpe, que só querem usar drogas o tempo todo e vão aproveitar o embalo do momento para defender seus direitos de vagabundos com previdência.

O crack é a previdência do abandonado.

De um lado ou do outro a verdade é apenas uma: se a sociedade insistir nesta tática atual de “assistência” usando a força bruta da Polícia Militar de São Paulo (e ainda achar bonito) vai encontrar resistência, claro, muita resistência. E eficácia nenhuma. Os viciados vão para outros lugares. As pessoas ficarão mais violentas. Alguém já viu uma crise de abstinência de um viciado em crack? É dor pura.

E tudo isso acontece enquanto o crack da televisão brasileira, o Big Brother Basil, está no ar, com os mesmos índices de audiência de sempre. Tudo porque a gente tem medo de olhar a miséria pela janela. Tudo porque temos medo de que a miséria olhe de volta pra gente.

Ela olha, sempre; mas a gente desvia o olhar.

E liga a televisão.

Ou faz um Tumblr estilosinho pra dar uma zoada no negócio todo.

Ah, a humanidade.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

mulheres rycas

mulheres rycas mode lexotan on

mulheres rycas: só o lexotan salva

Quando eu digo que não tenho televisão, ninguém acredita. É verdade. Eu não tenho televisão.

É por que eu sou contra? Claro. Mas é também porque eu gosto. Muito.

Então eu simplesmente evito, porque se eu paro na frente da televisão eu encontro dificuldades enormes pra sair da frente dela. É simples assim. Deve ser algum satanismo. Televisões são coisas demoníacas mesmo e, se não fosse assim, não seria a maior arma de manipulação em massa de todos os tempos.

Manipulação das massas, pelas massas, com as massas.

Então eu evito. E que não liguem um Datena na minha frente, pois eu sucumbo. É duro admitir, mas é verdade.

Mas vá lá, eu até acho que sou bastante resistente. Tanto tempo sem televisão faz subir um orgulho besta na cabeça da gente, acho que meio parecido com o que um ex-viciado sente quando lembra que está a tanto tempo longe das drogas. Apesar disso, farei uma crítica sobre um programa de tevê.

É isso mesmo: sou partidário do “eu não vi e não gostei”.

Mulheres Ricas” será o programa em questão, que estreou esses dias na Bandeirantes e é um reality show sobre… mulheres rycas.

O que me interessa, claro, não é o programa em questão, mas o impacto de tamanha imbecilidade na sociedade. O melhor lugar para analisar isso, como sempre, é a internet. Comentários em blogs e sites proliferam aos borbotões cibernéticos. Felizmente, parece que se formou um consenso entre os “críticos” de que o programa é um festival de futilidades mesmo, além de ser uma afronta para um país como o Brasil ter que viver com cinco perfeitas idiotas esfregando nas caras esfomeadas e sujas da população suas boas vidas moles.

Elas merecem suas vidas moles? Em algum nível de meritocracia, podemos dizer que sim. Mas apenas se partirmos do princípio de que a noção de “merecimento” pode ser esticada infinitamente para todas as direções de suas semânticas babacas. Então, tá, elas merecem.

Acho.

Mas o mundo precisa disso nas suas casas, bem na hora da janta? Será mesmo que as pessoas merecem que esse tipo de cretinice seja entregue nas salas de suas casas com todas as facilidades das preguiças eletromagnéticas de suas televisões de LED, pagas em diversas prestações, com o esforço suado de uma escravatura fantasiada de carreira profissional? Elas merecem todo esse esbanjamento, ostentação, ganância, burrices, cafonices, arrogâncias, mentiras, futilidades, exageros, mais esbanjamento, falsidade, pérolas absurdas como “a gente nunca diz para o marido o que a gente compra, manda a conta e pronto” ou “se rico não gastar, o dinheiro não circula”, constrangimentos sem fim, vergonhas alheias várias e altas doses de cortisol expelidas ininterruptamente pela glândula supra-renal, ou seja, uma raiva pura que não dá nem pra pôr em palavras?

Eu respondo: merece.

Porque o mundo fala mal, mas assiste. Apesar das críticas ferradas, o Ibope até que foi razoável para tamanha inutilidade, variando entre os cinco e os sete pontos de audiência.

Então o povo sofre, mas gostcha.

E o dinheiro tem que girar. Mas só entre as rycas. Está aí o segredo.

Um giro interno.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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os coxinhas da folha de s.paulo e o fim da internet (partita #54 andante più allegro)

Uma resolução de ano novo que eu sempre faço, mas que me é muito difícil cumprir, é que eu sempre digo que, no ano vindouro, eu lerei menos a Folha de S.Paulo. Nunca consegui, não consigo, acho que ela tem algum poder viciante misterioso. Tipo a cocaína na Coca-Cola.

Pelo menos eu parei de ler o jornal de papel, pois era uma coisa que me incomodava muito, aquela sujeira horrorosa nos dedos. Aquela tinta, não sei vocês, mas eu acho que tem alguma maldição naquela coisa.

Mas o jornal de internet eu ando lendo. E, com essa facilidade de informação, essa coisa que todo mundo chama de democratização da internet, eu acabo lendo de tudo, já que está tudo ao alcance desta minha desconfortável preguiça.

Então vocês já estão vendo que eu estou me explicando demais.

É porque eu vou comentar a Folhateen, desculpaê.

Mas vai ser rápido.

Li uma pequena matéria, uma nota, sobre uma senhora americana radicada na Austrália que lançou um livro ensinando às desesperadas mães do mundo técnicas de como tirar os filhos da frente da internet. Claro, como se a internet fosse realmente o maior problema das crianças. Como se não fosse exatamente a internet e a familiaridade com os códigos de programação, por exemplo, a única chance desta humanidade e das gerações futuras. O mundo agora quer tirar a única arma que os livres têm nas mãos para defender-se do… mundo. Eles querem tirar de nós a internet e o acesso indiscriminado, irrestrito e ilimitado a qualquer tipo de informação.

Enfim, desculpem a exaltação.

A matéria na Folha continuava, com tiradas ótimas como “Bill, 15, trocou o Facebook pelo saxofone”, o que é um absurdo de comentário, pois dá a entender que uma criança só consegue tirar da internet os malefícios de um Facebook e que, diante de um computador, ela nunca se interessaria por um saxofone, fato que até teria alguns lados positivos, imagine agora aquele seu vizinho pentelho cismando com as aulas de saxofone?

Claro que existem casos de crianças que só ficam no Facebook quando estão na internet, assim como a maioria dos adultos também, que aparentemente não faz outra merda quando está conectado na rede. É claro também que eu não faço a menor ideia das estatísticas sobre os casos de viciados em Facebook. Se esses números existem, então eu choro pela humanidade.

Então Bill, que era um viciadinho padrão de internet, e sob a orientação marota da menopausa materna, resolveu abir um livro. Sim, longe da internet, aleluia, ele abriu um livro. Porque livros são melhores para as crianças nessa sociedade que vivemos. São melhores do que a internet, claro (notem o sarcasmo). A gente prefere ver nossos filhas ganhando a vida como dançarinas do funk a vê-las na frente da internet, perdendo seus tempos de jovens com hormônios redundantes. A internet virou um mal.

Mesmo sendo ela nossa única salvação.

A notinha terminava, então, com duas boa referências de livros, porque afinal de contas é apenas pra isso que todos os sistemas midiáticos existem: para vender coisas.

Quer dizer, resumindo: eu estou na internet, lendo um artigo cuja opinião é a de que devemos desligar a internet, com uma sugestão de dois bons livros-produtos para abrirmos a cabeça e pensarmos bem sobre a possibilidade de lermos menos jornais a partir de então.

É isso? Ou eu perdi alguma coisa?

Então eu fecho a Folha e vou pro Estadão.

A lanchonete Estadão. Comer uma coxinha.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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