Arquivo da categoria: as coisas em si

Poesia pra quê?

Quem é que precisa de poesia nos dias de hoje? Quem são essas pessoas, que baixam suas armaduras arrogantes e seus achismos egocêntricos para admitir que o homem precisa de beleza, catarse e propósitos maiores do que os seus próprios umbigos para irem adiante?

Quem?

Eu quero ver quem é que levanta o dedo.

O Leminski, aquele louco, dizia que era muito fácil fazer poesia na adolescência, exigindo coragem e força, porém, para ser poeta depois dos trinta anos. Concordo.

Como eu já passei dos trinta, não sou mais poeta. Cresci. Já o fui, quando criança, e no começo de minha estragada juventude. Agora eu sei que faço parte de uma humanidade ultrajante, que não quer nada com a beleza do mundo e recalca qualquer tentativa legítima de apreensão dessa beleza, sei que vivo entre os piores seres do planeta, que provavelmente só estão-estamos aqui para destruir o planeta, como um câncer mesmo. E, assim como não existe câncer ruim, não existe uma humanidade ruim também. Nós apenas somos assim.

Ruinzinhos.

Então, poesia pra quê? Afinal, é esta a pergunta que se faz.

E se alguém responder: “pra ler, senhor escritor”, inventa uma resposta mal educada aí que você acha que eu daria numa situação dessas e responda a si mesmo.

Bicho ruim.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

Anúncios
Etiquetado , , , ,

odeio textos de odeio

Se eu quisesse seguir modas, faria apenas textos de fácil proliferação na internet, como textos de odeio, por exemplo.

Mas eu odeio textos de odeio.

Seria muito fácil fazer um desses, porque eu odeio quase tudo. E todos. Nem chegaria a ser um texto, acho que sairia apenas uma lista, e listagem não é literatura, apesar de muita gente achar que é. Um parágrafo e outro de lista a gente aguenta, mas um livro inteiro acho que não dá.

Pois seria apenas o trabalho de começar a listar todas as coisas, tudo que eu conheço, seria essa minha lista de “odeios”.

Então eu resumo a lista pra vocês.

Odeio tudo.

Assim nos poupamos do texto espirituoso.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

Etiquetado , , , , , ,

clichê?

O que é o clichê?

Lá vou eu, ter que fazer o papel do professor. A palavra clichê tem origem no covil técnico das antigas imprensas e estúdios de artesãos; é de origem francesa e servia para nomear a chapa de metal que se usava como molde para imprimir inúmeras vezes a mesma coisa.

Claro, a palavra, no final das contas, faz sentido nas aplicações que se faz dela nos dias de hoje. A gente sabe o que é clichê, claro, mas a palavra está tão na moda ultimamente, que ela replica-se em nossas conversas sem a gente querer, às vezes sem sabermos exatamente porque é assim, mas a gente usa, porque é um jeito fácil de parecer que a gente está entendendo alguma coisa da existência.

Mas a verdade é que não somos nós que usamos as palavras. São elas que nos usam. E é impressionante o tipo de coisa que nossas palavras nos obrigam a fazer apenas para que elas se repliquem.

Dando um novo significado ao termo “as palavras têm poder”.

E eu acho que elas apenas têm poder sobre algumas pessoas. Não todas.

Essas pessoas são os idiotas.

O clichê é aquela ideia repetida que já se replica sozinha, funcionando em padrão de máquina abstrata, penetrando nas cabeças das pessoas como vírus vorazes e usando suas mentes para proliferarem-se livremente pela cultura humana.

Vírus vorazes.

E suas presas prediletas são os idiotas. Quer dizer, quase toda a humanidade.

O clichê é mais perigoso do que a gente pode supor. Então a gente não supõe nada e fica olhando tudo acontecer. Um apocalipse, assim, no camarote da Brahma.

Ou a gente pode acabar com os idiotas.

Só pra ver o que acontece.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

Etiquetado , , , , ,

tributo à legião urbana: isto não deveria estar acontecendo, mas vai acontecer mesmo assim.

Bonitos. Mas só na foto.

Existem coisas (aí, AS COISAS, novamente) que deveriam ficar como sempre foram.

Deixar as coisas como são.

Quando paro pra pensar neste tal “Tributo à Legião Urbana”, que está sendo produzido pela MTV (sempre firme no seu objetivo para destruir a música) com a formação original da banda como cúmplices e Wagner Moura “no lugar” (ênfase nas aspas) de Renato Russo, enfim, quando eu lembro que isso vai acontecer mesmo, e em breve, eu não consigo evitar um pensamento, que sempre me atormenta com certa força, e que é: “ISTO NÃO DEVERIA ESTAR ACONTECENDO”.

Não tenho nada contra o Wagner Moura e nem me atreveria a ter algo contra ele, pois não tenho mais saco para ser acusado de invejoso, então fico sem treta nenhuma com o ator e deixo estar, já que cantar mal não chega a ser razão suficiente para odiar uma pessoa. E é claro que não posso também ter nada contra a MTV, simplesmente porque não suportaria os ataques furiosos das fãs de Marimoon contra a minha pessoa, que sou apenas um velho rábico, parado no meu canto, criando úlceras e produzindo inimigos.

Não tenho nada contra ninguém, claro, mas não posso ficar inerte ao fato de que muito provavelmente todas as pessoas envolvidas neste “tributo” queimarão para sempre no inferno. E incluiremos aí as pessoas que assistirão a esta tremenda demonstração de ganância, vaidade e mau gosto disfarçada de homenagem, todos os pseudofãs da Legião Urbana que aplaudirão de pé a esse enorme desequilíbrio astronômico que está pra acontecer.

Só porque eu sempre acreditei que o mundo não acabaria em 2012.

Vão todos queimar no inferno por isso, repito.

E depois não me digam que eu não avisei.

P.S.: A MTV, assim como Cartago, deve ser destruída. Como não dá pra fazer isso, contento-me apenas com a destruição de Dado Villa-Lobos. Obrigado e desculpa qualquer coisa.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

Etiquetado , , , , , ,

os imbecis também vivem. ou não.

“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, (…)”
Deuteronômio 30:19

O que dizer da vida além do óbvio, de que ela está aí para ser vivida? “Por quê?”, perguntaria o pessimista de plantão. “Porque sim”, respondo eu, com o perdão do simplismo arrogante.

A vida para ser vivida.

Porque a morte está à espreita, afinal de contas.

Incansável.

Num parafuso solto da roda dianteira da sua bicicleta naquela alucinante descida da Avenida Rebouças. Na bebedeira raivosa do motorista de ônibus da viação São Paulo – Aparecida. Na noite mal dormida do neurocirurgião que está para acertar aquela veia inocente no seu cérebro, logo hoje, logo agora.

Ela está em todo lugar.

Sempre.

Então viva, imbecil.

Viva.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

Etiquetado , , , , , , , , ,

o que é o amor?

foto: Vaner Micalopulos

De todos os fenômenos humanos que a gente não consegue explicar o que é, de todas essas incertezas meio certas, a mais “amada” (com o perdão do trocadilho besta) é o amor.

Porque se a gente pergunta “o que é o amor?”, muita gente gagueja, muita gente acha que sabe exatamente o que é, mas ninguém realmente sabe explicar o que é o amor.

Então a gente responde “sei lá!”, e é por isso mesmo que ele é o que é, e é por isso mesmo que a gente ama o amor.

O amor não se coloca em palavras, porque não existe língua humana que consiga explicá-lo e sempre que se tenta, logo a frustração toma o lugar das tentativas.

Porque o amor já existia incontáveis anos antes do advento de qualquer tipo de linguagem e é por isso que não existe um vocabulário que baste pra explicar o que é o amor.

Não tem filosofia, psicologia, neurolinguística, semântica, ciência, arte ou o que seja que consiga explicar essas coisas de amor.

Essas coisas de amor.

Porque amor a gente sente, não explica.

Porque se dá pra explicar, então não é amor.

E acho também que não existe explicação melhor do que essa.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

Etiquetado , , , , , ,