uma mentira que não espera quadrigêmeos

O ser humano é um bicho de mentira. Impressiona-me o fato de que, diante de histórias fantásticas, as pessoas nunca contam com o fato de que o tal contador de histórias fantásticas pode ser apenas um mentiroso. Pura e simplemente. Ele foi abduzido por aliens reptilianos do mal e não se tem nenhuma evidência disso além do testemunho do abduzido? Deve ser verdade, claro, ele não pode estar mentindo, afinal de contas é muito mais provável que uma forma de vida extraterrestre viaje milhões de anos luz para participar de sessões sadomasoquistas com humanos do que o abduzido estar mentido. Claro. Um papai transtornado joga a filha pela janela e nega que o fez apesar das inúmeras provas que mostram exatamente o contrário? Claro. Uma menininha chega grávida em casa e diz que foi o Espírito Santo? Claro.

Enfim, não quero me alongar nos exemplos “hipotéticos”; eles podem ser tendenciosos.

A imprensa, que também não é santa, mas é cega quando lhe convém, gosta de fechar os olhos para as mentiras mais escabrosas e ridículas e sempre nos presenteia com o supra sumo da bizarrice comportamental, todos os dias, no conforto dos nossos lares. O último “furo” mentiroso foi o da pedagoga Maria Verônica dos Santos, que se dizia grávida de quadrigêmeos, lá pras bandas de Taubaté, São Paulo. Ela andava por aí com uma barriga ridícula, que obviamente era de mentira, onde caberiam com facilidade os quatro supostos filhos além de mais alguns amiguinhos pré natais dos mesmos. Era simplesmente ridículo. E ninguém pediu nem mesmo uma averiguação, nem mesmo uma levantadinha no vestido.

O marido: imbecil ou cúmplice?

Está aí uma prova de como podemos ser inocentes e imbecis quando queremos. Mostramos esta estranha ingenuidade que só se justifica, penso eu, porque esperamos a mesma cegueira dos outros quando os mentirosos formos nós. Não consigo pensar em outra explicação. Não queremos enxergar essas mentiras, que às vezes podem ser hediondas, porque não gostamos de perceber que, às vezes, somos nós os mentirosos. Então fica tudo na boa. Você mente daí, eu minto daqui, e estamos combinados.

Agoras as pessoas ficam se perguntando: “pra que a menina inventa uma coisa dessas”? Eu, na verdade, fico impressionado mesmo com o fato de ter tanta gente que acredita. Mas isso sou eu.

Existe uma patologia, divertida, chamada “Síndrome de Munchausen”. Ela é uma desordem psiquiátrica em que os “doentes” simulam uma doença e fingem sintomas para conseguir a atenção das pessoas ao seu redor. Carência pura e um pouco exagerada. Existem mães, vítimas desse transtorno, que deixam seus filhos doentes, propositalmente, apenas para vestirem a capa da vítima e fingirem-se castigadas pelo destino. Elas sofrem e choram e pedem explicações aos médicos, mas são elas próprias que provocam os sintomas nos filhos, negando-lhes os tratamentos que os curariam com facilidade ou, não raro, piorando-os com envenenamentos periódicos ou súbitos enforcamentos.

Ah, a humanidade.

Este caso da pedagoga é bolinho.

Pedagoga mentirosa compulsiva, enfermeira arremessadora de cachorros, médico estuprador. Eu queria muito saber o que se passa com os diplomados desse Brasil.

Tá bom, o assunto não é esse.

Desculpem.

Mas eu falei alguma mentira?

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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Um pensamento sobre “uma mentira que não espera quadrigêmeos

  1. O marido: um cúmplice imbecil!

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