Deus é ateu.

Deus? Pra mim, assim como pro Nietzsche, é uma questão morta.

Não se trata mais de provar ou não se Deus existe. Isso foi ontem. Se realmente existisse uma figura macho patriarcal com atributos mágicos de onipotência, onisciência e oni-o-que-você-conseguir-inventar, acho que ele se mostraria por completo, não dessa maneira tendenciosa e obscura, não nesse eterno esconde-esconde, nessa eterna charada sem sentido. E então você pode me dizer que ele não se mostra porque não consegue, ou ele se mostra, todos os dias, mas eu fecho os olhos pra ele, ou qualquer uma dessas bobagens que são apenas palavras e que serão sempre argumentos contra os atributos que o colocam na posição desse Deus Todo Poderoso. Você pode me dizer qualquer coisa, mas se Deus existisse, a linguagem nunca bastaria para entendê-lo, então não daria pra provar se ele existe ou não, e isso pra mim, sendo eu este homem de ciência que sou, é o mesmo que provar sua inexistência.

Eu não sou agnóstico. Eu não sou ateu. Pra mim não faz sentido provar a inexistência de algo que nunca existiu.

Por que um Deus escondido, afinal de contas?

Porque ele é conveniente assim. Porque ele é só linguagem. Porque ele é apenas uma invenção de controle e essas coisas ficam melhores escondidas. E não adianta vir com aquela velha ladainha do tipo “ah, o meu Deus não é assim”, porque, se você é um desses, está apenas assumindo que este Deus é só uma realidade subjetiva e que cada um tem uma concepção diferente “dele” mesmo e acho que não existe melhor argumento contra a existência desta entidade do que este mesmo: um Deus subjetivo.

Trata-se de uma subjetividade divina, um constructo que nem é tão bem feito assim, haja visto que é apenas uma cópia rameira de um paizão que curte bullying. É uma história da carochinha, pra gente ficar com medo e dormir rápido.

Pra não falar em “histeria coletiva” mesmo.

Deus é o homem. E vice-versa.

Claro que o termo histeria nem é uma patologia e é mais um termo preconceituoso, como já dizia o bom Freud, e é claro também que eu só o uso pra colocar a tudo numa tabula rasa irônica e obrigar-nos a começar de novo.

De novo.

Mas sem Deus dessa vez.

Só pra ver o que acontece.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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