BBB e raiva: um estupro consensual, pode?

Hoje eu estou inteiro bílis. Porque eu sinto umas raivas e não sei porque às vezes essas coisas acontecem. São períodos raivosos que me dão vontades selvagens. São períodos, no máximo de uma semana, que eu fico sentindo o cheiro da guerra batendo nas têmporas, não sei como é que pode um cheiro que bate em lugares que não o nariz, mas é assim.

E nesta semana, logo na minha semana de raiva, um cara do BBB supostamete estuprou uma mina do BBB.

No BBB. Pra você vê.

Eu não vi, não sei como foi, não tenho televisão, muito menos payperview, claro, e eu rezo todos os dias, antes de dormir, pelas pessoas que pagam para assistir 24 horas por dia a esta grande prova contra a evolução natural que é o BBB.

Deveriam oferecer assistência médica e social a essas pessoas.

A mesma assistência que está sendo negada ao viciados de crack na cracolândia.

Eu sei que muita gente concorda com isso, mas assiste a joça mesmo assim. Alguns até têm a coragem de dizer que assistem ao programa com um olhar, assim, antropológico. Se você acha que o BBB é ruim, mas assiste, com essa superioridade crítica de quem acha que pode assisti-lo através dum ângulo pessoal e construtivo, sem grandes danos ideológicos à sua mente, se você se considera uma espécie de irmão Villas-Boas da televisão brasileira, um antropólogo das comunicações eletromagnéticas, se você é um desses arrogantes idiotas, então saiba que você não é porra nenhuma além de um espectador comum, ou seja, parte do problema. Não existe maneira de ficar na frente da televisão, assistindo àquilo, sem adotar uma posição inteiramente crítica CONTRA o programa. Não tem como não se revoltar contra TUDO o que acontece naquela grande excrescência geradora de lucro e ainda por cima aguentar um segundo episódio daquele massivo vendedor de carros, xampús e guaranás, ainda mais depois do que deveria ser um irrecuperável trauma inicial com a exposição a um episódio apenas. Não tem como assistir a DOIS episódios daquilo numa vida inteira. Se você já está no terceiro programa, então é caso perdido

Se a guria foi estuprada? Não sei. Se você entrou aqui para ler algo sobre isso, deu-se mal.

Não se zangue, como eu. Daqui a pouco começa o BBB e você esquece.

Aquele estupro consensual da mente.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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4 pensamentos sobre “BBB e raiva: um estupro consensual, pode?

  1. Isso aí! BBB é o cacete! Deviamos nos preocupar em punir quem realmente estupra, quem realmente faz o mal, inclusive para si mesmo. TO contigo! Um abraço

  2. Anônimo disse:

    não assisto bbb. me enchi. mas assisti vários por muito tempo. nunca achei um bom programa, mas também nunca tentei justificar minha vontade de ver. sempre tive bem claro: é um circo de horrores. que nem quando pagavam pra ver a mulher gorda, o anão aleijado que consegue enfiar uma bola de futebol na boca… eu gostava de bbb. era meio catártico. e não tenho certeza que não pagaria pra ver o anão.

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