silvio santos, chaves e o laicismo na televisão

Podem falar o que quiserem do Silvio Santos, mas que o bicho é malandro, num nível de malandragem que o brasileiro costuma idolatrar e comparar com a malandragem de um deus, isso ele é. Deuses sempre foram malandros e a eles tudo é permitido, e nós, mortais, que gostamos deles, deixamo-los soltos, livres, fazendo o que bem entendem. Até as nossas mortais a gente permite que eles comam.

Deveria ser uma coisa intolerante, essa sem vergonhice divina, bem nas nossas caras. Eles descem de seus olimpos e fazem o que bem entendem com nossas mulheres.

Mas não era disso que eu ia falar. Isso foi só uma ruptura.

Aparentemente, a emissora do judeu Silvio Santos é a única ainda que não se rendeu à grana das religiões, mantendo sua grade de programação longe de cultos e ritos supersticiosos. É claro que, como tudo no universo, pode ser que essa resistência caia a qualquer momento, as propostas, pelo jeito, são altas, e o SBT é a única emissora sem nenhum tipo de pregação religiosa entre as propagandas de sabão em pó e as novelas mexicanas made in Brazil. Como qualquer pessoa que assiste ao Jornal Nacional sabe, no capitalismo a escassez de um produto no mercado aumenta o seu valor. E talvez tenha sido essa a malandragem do icônico apresentador-empresário. Valorizar o jogo. Se foi assim, deu certo: as ofertas já chegam aos trinta milhões. Mas ninguém confirma nada. Claro.

Como bom judeu que é, Silvio Santos deveria pensar bem antes de decidir-se apenas pelos lucros e vender sua casta programação à uma religião que não fosse a judaica.

Aqui, eu deixo um espaço pra vocês pensarem em piadinhas preconceituosas.

Miele feliz da vida no meio das garotas do programa Cocktail, marco da televisão berlusconesca (sim, de Berlusconi mesmo) no Brasil. Notem a ironia.

De qualquer jeito, como colega que sou (tantos domingos tediosos na frente dele devem ter me alçado ao posto de pelo menos um colega), acho que ele, no mínimo, deveria manter sua programação, que é o berço de fenômenos televisivos como Chaves, Bozo e Cocktail, do jeito que está agora e talvez dar uma pequena chance ao laicismo. Isto é: optar por nenhuma religião.

Algo como uma espécie de oásis na televisão brasileira da mediocridade religiosa que impera no país. Mas com Chaves.

Tá Silvio?

Pensa bem.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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3 pensamentos sobre “silvio santos, chaves e o laicismo na televisão

  1. Odeio Chaves.

    Bom texto.

    Aposto que quando o Silvio morrer, as filhotas dele vão querer programas religiosos. (vão querer uns milhõezinhos a mais)

    Em nome do Pai, do filho e do Silvio Santos. Amém.

    Tchau.

  2. Anônimo disse:

    religião é doença.

  3. Adoro o SBT, e também já reparei no fato de eles não pregarem nenhuma religião. Só aqueles otários do Patati e do Patatá (que por sinal são novos no canal) ficam agradecendo mais um dia a Jesus, mas eu sempre achei eles idiotas, então nem conta.

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