relação cancro (partita #74 contagiosa)

Por que ouvir as pessoas quando elas apenas parecem que sabem do que estão falando? Quando alguém fala sobre algo que mal conhece, trata-se afinal de um ato de dissimulação e uma grossa mentira, ou não? Não se trata apenas de opinião, que a gente já sabe que é o contrário da verdade, apesar de ser um termo que anda muito na moda pois todo mundo quer e tem uma opinião sobre qualquer coisa hoje em dia. Você sempre vê as pessoas defendendo suas opiniões como se isso fosse a coisa mais bela do mundo, mas não é, você ouve, “é minha opinião”, ou coisas do gênero, como se ter opinião fosse uma coisa boa. Ora, meus amigos, opinião é o discurso condensado das massas cegas e manipuladas. É um meme com mania de grandeza. Opinião é erro. Opinião é uma ilusão pessoal disfarçada de verdade.

Se a intenção não é enganar a você mesmo, então a vítima é o interlocutor, mesmo que não haja vítima propriamente dita, pois não existem vítimas, assim como não existem algozes, apenas pessoas que criam agenciamentos de vítimas e trocam devir com agenciamentos de algozes. Um precisa do outro pra existir e, por isso, os dois estão em um, como poderiam ser treze em um também, ou os contrários, em infinitas multiplicidades.

Por que ouvir e debater com as pessoas se as respostas vêm na forma dessas golfadas azedas que invariavelmente sobem às minhas têmporas, rasgando faringes e laringes e consciências, sempre elas, as consciências, que se queimam por último, mas não menos, nunca menos? Pois é tudo raiva e quando falo TUDO é tudo mesmo, não sendo o caso de trocar tudo por uma raivinha de novela das oito ou por um sentimento de insatisfação ou por aquela tal da inveja, que eu não sei bem dizer o que é. Mas se assim preferirem, por favor, sintam-se à vontade e substituam mesmo, troquem tudo por raiva, mesmo que não seja AQUELA, a raiva da boa morte, da destruição que constrói, que é o único sentimento humano que merece discurso. Sem raiva as cidades não se formariam e estaríamos ainda catando frutas e caçando pequenos animais. Com a raiva a gente vai dormir atazanado, louco pra acordar no dia seguinte e construir um prédio. Às vezes acorda com um câncer no rabo, mas essas coisas fazem parte do processo.

A vida é realmente um teatro e isso não chega a ser um grande problema. Mas os atores dessa lenga devem sair do palco, ao menos uma vez, para assistirem à peça que se desenrolará ali sem eles, porque a peça continua sem eles, sem nós, e deve-se sair desse palco da vida pelo menos uma vez para ver o que acontece com o teatro todo sem você no meio. Uma coisa é certa: os atores são sempre substituídos. Você então, sentado na plateia, assistindo a peça sem você, percebe que nada (nada = realidade) muda e tudo (tudo = realidade) continua igual e a única coisa que muda mesmo é você (você = realidade). Uma afronta à segunda lei da termodinâmica.

Sou um otimista no final das contas. Merda.

Mas com raiva. E que fique assim.

Respeito? O que significam essas coisas? O que é “respeito” se você tira as relações do contexto e chega às coisas como elas são em fenômeno? Nada. E não falo de “relações” como “relacionamentos”, mas apenas as relações puras mesmo, entre as coisas, como uma das fundamentais funções do cérebro, que é esta de fazer relações também, claro. Se você entoa a palavra “respeito” como um mantra de perfeitos idiotas e não entende como as coisas e pessoas se relacionam, então você está patinando em merda congelada. Se o tal “respeito” surge de uma falsa compreeensão da relação que existe entre tudo, então o “respeito” não existe e as partes envolvidas, em relação (pessoas produzindo coisas e conceitos que se relacionam e assim infinitamente ou até que a energia se acabe), claro, estão se enganando. Mas são as multiplicidades que se enganam e não é justo dizer que indivíduo 1 engana indivíduo 2. Não existem indivíduos. Existem multidões. Multidões de idiotas.

E é melhor pensar que somos todos idiotas, porque isso tira a maldade das ações e é muito melhor viver num mundo de idiotas do que entre maldosos vilões conspiratórios que transformam fofocas em ações de sangue e porra.

Com raiva no meio, pode ser até que tudo comece meio bagunçado, mas esse tudo se ajeita mais tarde. Como?

Não sei.

Perfeito.

#Not.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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