terrorismo poético: uma realidade lisérgica pedindo esmola na rua (partita # 68 heroica)

Imagine uma grande quantidade de pessoas sem identidade. Irrastreáveis. Pessoas que nascem sem registro e que são treinadas, desde a mais tenra infância, para serem guerreiros justos, uma fantasia platônica de rei-filósofo-general e, novamente, sem nenhum tipo de registro. Imagine algumas gerações depois, no mínimo duas, em várias partes do mundo, as estruturas dessas pequenas sociedades de guerreiros filósofos sem identidade abalando a ordem pré estabelecida.

Para o bem ou para o mal, alguma merda haveria de dar.

Qual seria a primeira geração de voluntários deste maciço movimento de desterritorialização, no sentido nem tão deleuziano da palavra? Os mendigos, claro, os verdadeiros revolucionários desta sociedade de imbecis. Já dispostos a não terem nada, a não ser alguns trocados e um pouco de sopa fria, eles seriam os tutores da humanidade e ensinariam a nós os métodos milenares deste desconectar necessário dos dogmas sociológicos pelo qual deveremos passar e pelo qual eles já passaram há muito tempo.

Os mendigos são os novos políticos da libertação. São os dissociadores da pólis. São os Diógenes barulhentos desta ágora de pombos.

Odeio os gregos e tudo que eles representam. Eu só falo muito deles porque vivemos numa sociedade de gregos.

Gregos, por que tê-los?

Então, duas gerações pra frente, teríamos um exército de guerrilheiros poéticos, treinados para isso, descendentes de mendigos e loucas de rua, aqueles seres patéticos que fuçam lixos e cagam nas calçadas hoje em dia. Eles, os integrantes desta futura humanidade, seriam atléticos, livres pensadores, no sentido não usual da palavra, pois seriam pessoas que deixam o pensamento livre e não pessoas que são livres de ideologias, que é o que as pessoas acham que é ser um livre pensador nos dias de hoje: ser livre para ter ideologias – ledo engano.

Essas pessoas nasceriam sem ideologias. Seria o fim da cultura.

Mas peraí? Como assim “fim da cultura”? Você não disse nada que tinha um “fim da cultura” aí no meio.

Pois bem, eu estou falando agora. Agora não pode? Tudo bem. Com “fim da cultura” no meio você não quer?

É isso?

Tudo bem, mas… o que é cultura mesmo?

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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