o amor enfraquece (partita #73 tragica, pero no mucho)

O amor enfraquece. Tira o brio, mata de frio, finge que é bom, parece encaixar o incaixável, mostra-se estruturado e lógico, mas é uma fila de besteiras melosas e possessivas. É a posse da criança que acabou de aprender a falar “minha”. O amor enfraquece porque você precisa se mutilar para fazer aquilo que o parceiro e/ou parceira entende como as básicas demonstrações deste tal amor. As duas partes, assim, enfraquecem, pois cada um perde partes significativas de seu ser para cumprir com as exigências da outra parte. As partes das partes. E o que se recebe por esta auto-trans-mutilação quase nunca é o bastante. Entra-se num dialelo de onde dificilmente se sai. Vive-se infeliz para sempre, ou feliz em liberdade. Eu acho que é isso, mas se tem alguém por aí que entenda mais dessas coisas, é favor esclarecer-me uma série de coisas.

Entre em contato.

Vão dizer também que o amor é uma coisa que não se coloca em palavras e esta é uma coisa que eu não tenho como concordar mais do que já concordo. Amor, desse jeitinho bucólico e bunitinho e babaca, que é o ideal da maioria das pessoas, não existe, porque amor é uma palavra, claro, mas só isso e nada além, um conceito, que foi se enraizando nos delírios e ilusões de todos e também nesse pensamento abstrato que nos guia a todos. Isso vale também para qualquer outros daqueles terminhos incômodos que nos acompanham a tudos e todos.

Defina amor: “não dá”. Então eu tiro da lista. Deus, agora, por favor, defina: “é isso” ou “é aquilo”. Não entendi, não tem muito sentido, explica de novo (assim, no imperativo mesmo), dá pra ir mais fundo?: “não não dá, porque nem precisa, é questão de fé”. Então os conceitos começam a tentar explicar uns aos outros e uns com os outros, mas todos têm suas lacunas e falhas, então esses buracos vão se somando, uns n’outros, e, uma hora, não tem jeito, a estrutura colapsa.

A crença, a fé, porém, permanece, e as pessoas seguem acreditando, curtocircuitando o que chamam “ego”, aniquilando o juízo e deixando todos ao deus dará das incompreensões humanas.

O deus dará.

A gente ama essa dor que é amar. E eu nem sei exatamente o que pensar sobre isso. Quem sabe? Favor, entrar em contato.

Beijo, me liga.

[CATO ALBERICO RIBEIRO]

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3 pensamentos sobre “o amor enfraquece (partita #73 tragica, pero no mucho)

  1. Günther. disse:

    ô Cato, coitadinho do amor, coisa pequena, invenção terrena
    ter que carregar o peso de mutilar a liberdade, outra indefinível,
    ou de acalmar o caos da vida (caos indefinível, vida indefinível).

    Indefinível, Indecifrável, Indefinhável.
    A vida não definha, não importa quanto se a negue,
    A vida engole a negação e te põe de novo em cheque
    Mesmo que a negação seja uma definição, ou um farol, ou um moleque.

    Todo ser humano sofre junto esta incerteza
    talvez por isto os artistas, que comem e dormem sua arte
    sejam os únicos no mundo que lutam pela verdade
    aliás, arte, indefinível, verdade, indefinível.

    Cato, amar é difícil, porque viver é difícílimo
    Mas de tropeço em recomeço, de escuro em pular o muro,
    vamos nos amando, nos vivendo, nos libertando.

    Amar é uma arte, é uma busca por sua verdade escondida,
    e uma busca por liberdade, como qualquer coisa na vida.

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