Voltei de um coma.
É isso mesmo. Não entrarei nos detalhes do assunto, não falarei como começou, não explico porquê.
Um coma que durou exatas duas semanas. Quatorze dias, pra quem é ruim de conta.
Este texto não terá a forma de um diário, não tentará explicar nada, muito menos o que é um coma. Não será um relato emocionado, não tentará tocar o leitor com mensagens pueris de esperança e fábulas infantis de luzes no final de algum túnel cósmico.
Não.
Voltei do coma, se é que posso continuar abusando assim do verbo “voltar”, enfim, voltei o mesmo, a mesma pessoa, talvez um pouco pior.
Vai entender.
Este é o primeiro texto que faço depois dessa “volta”.
E acho que não tem porque repetir que voltei, já que não fui a lugar nenhum.
Se o leito da UTI é um lugar, e claro que é, então foi de lá que voltei.
E estou igual.
Mas pior.
[CATO ALBERICO RIBEIRO]
