Ateísmo ou não, eis a questão.
Eu sou ateu, claro, acho que isso fica mais do que óbvio em alguns dos meus textos. Mas não estou aqui no papel de evangelizador ateu. E a contradição dos termos aplicados é sempre bem vinda.
Às vezes acho muito estranha essa nova aptidão do tal “neoateísmo” de estar sempre guerreando com os crentes, que agora é um termo usado para qualquer pessoa que simplesmente crê em alguma coisa, até mesmo em Odin, se assim quiser.
Um mundo de crentes nórdicos. Aí eu ia curtir.
É claro que eu nem vou falar da aptidão natural dos teístas de guerrearem, porque ela já é mais do que conhecida.
Enfim. A guerra, infelizmente, é algo que está no centro das relações humanas. O Heráclito de Éfeso, um grego bem das antigas, disse bem. Apesar do abismo histórico, e das traduções que nunca chegam perto de entender qualquer coisa que seja, ele foi o primeiro a afirmar obscuramente a necessidade infinita dessa guerra cósmica para a formação de tudo e de todos.
Então o que o ser humano gosta mesmo é de brigar. Desculpem-me. Mas não se trata de Deus ou de fé ou de expor as falácias teístas ou da afronta às lógicas humanas.
Não.
É pura e simplesmente uma vontade absurda de pegar em armas. É pura e simplesmente essa vontade genética de esmurrar a cara do vizinho, faltando pra isso apenas que ele me dê um bom motivo; como ser ateu, por exemplo.
Porque se não fosse isso, ateu não brigava com ateu e crente com crente. Se fosse simplesmente uma questão de defender essas ideias absurdas que dominam aos homens, se fosse só isso , a coesão entre os grupos seria indestrutível, não? Mas não é.
Porque, pelo jeito, para unir, o homem precisa destruir.
E o homem é bicho de guerra mesmo.
Infelizmente.
[CATO ALBERICO RIBEIRO]

Casa comigo, li umas 15 coisas que você escreveu só hoje e não discordo de nada.
Faço das palavras acima, as minhas, rs.